Senai e Rota 2030 investirão R$ 37 milhões em ideias inovadoras para o setor automotivo

A Plataforma Inovação para a Indústria vai investir R$ 37 milhões no desenvolvimento de projetos inovadores, consultorias de produtividade e digitalização do setor automotivo. 

Os recursos serão aportados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Rota 2030, programa federal que busca aumentar os investimentos em P&D no segmento. As propostas selecionadas serão desenvolvidas na rede de Institutos Senai de Inovação e de Tecnologia distribuídos pelo país.

“A inovação acontece sempre nas empresas, mas ninguém inova sozinho, depende de um contexto, de um ecossistema. A Plataforma Inovação para a Indústria é a porta de entrada para que alianças de empresas se conectem à infraestrutura dos Institutos Senai e instituições parceiras em um ambiente de inovação aberta e colaborativa. Esse mecanismo permite uma inovação de maior impacto”, explica o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi. “O eixo de produtividade do Rota 2030 gerenciado pelo Senai têm potencial de gerar essa inovação disruptiva na indústria automotiva”, complementa.

A rede de Institutos Senai de Inovação vai desenvolver sete projetos selecionados no segundo ciclo do Rota 2030 na categoria Empreendedorismo Industrial – Aliança Industrial. Entre as escolhidas está proposta de sistema regenerativo elétrico e de tração auxiliar para semirreboques de carga pesada (SRE2).

O sistema tem potencial de redução de até 25% de consumo de combustível e de quase 10% no custo do frete. O potencial de ineditismo uniu as empresas do Grupo Randon (Fras-le e Suspensys), a Gerdau, a Companhia Industrial de Peças (CIP) e a Fundação Universidade de Caxias do Sul em torno do projeto.

O sistema por propulsão elétrica complementa a potência do motor a combustão, reduzindo a emissão de poluentes e o consumo de combustível, responsável por 38,4% do custo de transporte rodoviário de cargas, segundo relatório da Esalq/LOG. As condições de manutenção da malha rodoviária brasileira e a idade elevada da frota – 70% têm pelo menos 15 anos – estão entre as razões do alto consumo.

“Em função da demanda por investimentos em infraestrutura e renovação de frotas, ainda serão necessários muitos anos para que a eletrificação da mobilidade se consolide. Como alternativa, o projeto SRE2 aparece como solução de hibridização. O propósito é trazer benefícios para a frota atual com a infraestrutura vigente, proporcionando ganhos relevantes de eficiência”, justifica o projeto aprovado pela Plataforma.

Outras propostas selecionadas são projetos na linha de aumento da eficiência energética apresentados pela Fiat Chrysler Automobiles (FCA); Valeo Sistemas Automotivos, multinacional europeia fornecedora global de produtos automotivos; Marelli, que produz sistemas para uso em automóveis, como de iluminação, telemáticos e computadores, componentes de suspensão, entre outros.

A Schaeffler, que dentre os produtos oferecidos encontram-se os componentes e sistemas de chassis, e as tecnologias para acoplamentos e transmissões, assim como componentes de motor e acionamentos para veículos híbridos e elétricos, também está entre as escolhidas.

Ambos os projetos visam o desenvolvimento de soluções técnicas que sejam aplicadas ao sistema motopropulsor dos veículos, permitindo a redução de consumo de combustível. Segundo a proposta “o novo conceito contribui significativamente na obtenção da meta de melhoria de eficiência energética dos veículos automotores.”

Na categoria Hands-on: Aprendendo Fazendo, o Senai também vai elevar a produtividade de 145 empresas selecionadas. Serão utilizadas técnicas de manufatura enxuta (lean manufacturing), digitalização e gestão de riscos. Na consultoria em lean, a meta é o aumento de 20% da produtividade com a redução de custos de produção e de sete tipos de desperdícios: superprodução, movimentação, transporte, estoque, retrabalho, espera e processamento excessivo.

No atendimento em digitalização, o objetivo é um ganho de 10% em produtividade por meio de tecnologias digitais. Os consultores do Senai instalam, em linhas essenciais das indústrias, equipamentos que emitem dados em tempo real sobre o processo produtivo. Com as informações, os gestores podem verificar onde estão os gargalos de produção e tomar decisões para corrigi-los.


O eixo de produtividade do Rota 2030 gerenciado pelo Senai é uma jornada rumo à Indústria 4.0. Além do desenvolvimento de projetos apresentados por alianças de empresas da cadeia automotiva, a indústria importadora de peças pode matricular seus gestores no Master in Business Innovation (MBI) em Indústria 4.0. Os fornecedores da cadeia automotiva recebem ainda consultoria dos 60 Institutos Senai de Tecnologia para reduzir desperdícios em seu processo produtivo.

A rede nacional de 27 Institutos Senai de Inovação, distribuída em todas as regiões do país, conta com mais de 700 pesquisadores, sendo que cerca de 44% têm mestrado ou doutorado. Possui ainda equipamentos e infraestrutura de vanguarda para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores. Atualmente, 15 centros são unidades Embrapii e têm verba diferenciada para financiamento de projetos estratégicos. Mais de R$ 1 bilhão já foi aplicado em 1.095 projetos concluídos ou em execução.

Fonte Ipesi 



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