“Se não puder ser falado tudo o que se pensa, não é um conselho de administração, é um grupo de amigos”, diz Christiane Schramm, durante a Enafer, em São Bernardo

O conselho de administração como caminho para ajudar na sustentabilidade das organizações, independentemente do porte, foi tema da palestra de Christiane Schramm Guisso, CEO do escritório Schramm e Hofmann Advogados, durante o segundo dia do 12º Encontro Nacional de Ferramentarias. 

“O objetivo do grupo é discutir as diretrizes estratégicas da empresa, o que vai fazer com que a companhia pare para pensar no amanhã”, comenta. 

O conselho pode ser composto por profissionais internos, externos ou independentes, mas é preciso cautela para não gerar conflitos de interesse, principalmente quando há participação de pessoas que já pertencem ao quadro da empresa, especialmente familiares. 

O grupo deve discutir, aprovar e monitorar o que está sendo feito, mas sem executar os trabalhos, com o propósito de tomar decisões relacionadas ao negócio. Além disso, quem participa do conselho não deve ocupar a função por mais de dois anos. “Tem que oxigenar e renovar o quadro, para que novas ideias sejam criadas”, explica Christiane.  

Dentre os assuntos que devem estar em pauta nos encontros destes profissionais estão: contratação de profissionais, remuneração, necessidade de auditorias independentes, processo sucessório, governança corporativa e políticas de retenção de talentos. 

Mas para que as decisões sejam deliberadas, é necessário que os integrantes do conselho tenham liberdade para se expressar. “Se não puder ser falado tudo o que se pensa, não é um conselho, é um grupo de amigos”, diz. Por isso, a maturidade dos proprietários das empresas para receber críticas e sugestões é fundamental para que um conselho seja produtivo e propicie resultados positivos. 

É claro que, para isso, é preciso selecionar bem os membros que vão compor o conselho. Experiência e qualificação para desenvolver pontos de vista e saber argumentar sobre eles são fundamentais. “Também é importante que estejam alinhados com os valores da empresa e tenham conhecimento de mercado e legislação tributária”, reitera a especialista

Tags
Compartilhe

Erica Tabata Martin

Jornalista de economia e negócios