Moldes: novo revestimento nanocerâmico resulta em maior dureza e resistência à abrasão em peças injetáveis

Concebido inicialmente para uso em instrumentos cirúrgicos, um revestimento em cerâmica feito em escala nanomética encontrou aplicações muito vantajosas como tratamento superficial em moldes para injeção plástica. 

A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da empresa nChemi, de São Carlos (SP), com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fapesp e os primeiros testes demonstraram maior produtividade e sustentabilidade no processo, em relação ao uso de desmoldantes convencionais. 

Análise técnicas realizadas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) comprovaram aumento da dureza da superfície do metal em 90% e a diminuição do atrito em 50%.

Segundo Bruno Lima, cofundador da nChemi, por se tratar de ser um revestimento cerâmico ultrafino, com espessura menor que 0,1 micrômetro, ele pode ser aplicado em moldes de qualquer tamanho, inclusive naqueles com geometrias complexas, reentrâncias e detalhes finos. 

No caso da moldagem de peças em poliamida carregada com fibra de vidro é possível obter até 4 mil ciclos de injeção antes que seja necessário reaplicar o desmoldante, enquanto que para peças em polipropileno (PP), o processo pode ser repetido até 10 mil ciclos.

As vantagens, no caso da injeção de PP, incluem evitar a adesão, que costuma ocorrer, por exemplo, em peças grandes como itens para portas de veículos. 

No caso da poliamida com fibra de vidro, a vida útil do ferramental pode ser prolongada ao prevenir o efeito abrasivo deste material. 

O processo, como um todo, também ganha em produtividade, com redução do intervalo entre ciclos: de 2,5 minutos para 30 segundos, segundo os pesquisadores. 

A sustentabilidade é promovida ao evitar trocas frequentes de desmoldantes.

A aplicação é feita por meio de spray, potencializado pelo o uso de um compressor. Em seguida, a peça recebe um sopro de ar quente, que finaliza a secagem e adesão. 

Além do emprego em moldes e em instrumentos cirúrgicos, a fim de prolongar a vida útil destes, o nanorevestimento cerâmico também já foi utilizado como tratamento superficial em fresas e brocas para usinagem.

 


O melhor conteúdo do setor metal-mecânico no seu e-mail

Cadastre-se em nossa lista VIP para receber conteúdo, notícias e muito mais sobre o setor metal-mecânico.

Compartilhe