Ferramentarias estão com carteira de pedidos lotada

De acordo com os indicadores divulgados na última sexta-feira (11/06) pela CNI, a indústria nacional reagiu de forma positiva à segunda onda de coronavírus, na virada de março para abril. 

Apesar da queda de 1,3% no faturamento em relação ao mês de março, as variáveis ligadas às atividades industriais cresceram. A utilização da capacidade instalada, por exemplo, chegou a 82,3% em abril.

Esse cenário de retomada influencia diretamente o desempenho das ferramentarias, que segundo a Abinfer - Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais estão com as carteiras de pedidos lotadas. 

O setor automotivo tem impulsionado os negócios das ferramentarias, assim como os setores de linha branca, calçadista, de construção civil e de produtos plásticos descartáveis. Segundo Christian Dihlmann, presidente da Abinfer, desde setembro de 2020 (após estagnação no primeiro semestre), “as ferramentarias estão lotadas”.

No entanto, o cenário cheio de boas expectativas também gera algumas desconfianças. Dihlmann aponta que há uma agitação muito grande no mercado, principalmente pela alocação de verba do Governo Federal por conta da pandemia. “Tudo tem um custo e eu receio que isso seja buscado de volta para levar aos cofres públicos, provocando aumento nos preços e impostos, além de desaceleração”, comenta.

Outro problema recorrente é o aumento nos preços dos insumos, como o aço. Dihlmann explica que os aumentos geralmente não são negociados com os clientes, o que reduz drasticamente a margem de lucro das ferramentarias. 

Mesmo com esses obstáculos, o presidente da Abinfer afirma que o setor está bastante ativo. Porém existem problemas na rentabilidade dos negócios, que por conta dos altos custos dos insumos apresentam margens de lucro apertadas ou negativas.

Também há a questão da importação de moldes da China, que mesmo com a alta do dólar continuam chegando em grandes volumes ao Brasil. “Muitas montadoras, inclusive, têm manifestado interesse em desenvolver outros hubs de fornecimento de moldes em países como Brasil, México, Índia e África do Sul para não ficar tão dependentes da China. Isso é ótimo desde que aconteça e de que os preços sejam competitivos”, observa Dihlmann.

A disponibilidade de mão de obra é outro ponto que tem se apresentado como uma dificuldade, pois faltam profissionais qualificados no mercado. Dihlmann afirma que atualmente esse é o maior gargalo do setor. “Temos equipamentos, mesmo que antigos, mas não temos quem os opere”, detalha. Ele ainda comenta que se houvesse mão de obra disponível, o setor seria capaz de aumentar a sua produção em até 80%.

Quanto ao faturamento, no ano de 2020 o setor manteve o mesmo nível de 2019. Para esse ano, a previsão da Abinfer é de 25% de crescimento.

Linha branca - Jean Paul Cousseau, diretor da Top Tool Matrizes, confirma a alta na demanda. A empresa está com quatro meses de pedidos em carteira e acabou de entregar um grande lote.

Para o diretor, é um pouco difícil atribuir a responsabilidade do crescimento exclusivamente a um ou outro fator por conta do contexto global atípico provocado pela pandemia, mas ele aponta que a linha branca tem contribuído bastante. “As pessoas passaram a estar mais tempo em casa e a investir mais em produtos voltados para o conforto”, diz.

Além da linha branca, Cousseau conta que o segmento de embalagens também tem contribuído para a expansão dos negócios da empresa. Assim como outras companhias do setor, as principais dificuldades estão relacionadas à falta de matérias-primas e à alta dos preços nos últimos seis meses.

No primeiro quadrimestre, a Top Tool faturou acima das metas estipuladas. A expectativa é fechar este ano com crescimento entre 15 e 20% em relação a 2020, se aproximando dos recordes de faturamento da empresa.

Consultoria - “Se não houver trabalho nas ferramentarias, nós não temos trabalho. E nesse momento estamos lotados de trabalho”, diz Hugo Sousa, diretor da Zextec, que atua na área de consultoria para empresas de ferramentaria.

Dos diversos segmentos atendidos, hoje os que mais se destacam - por critério de demanda - são o calçadista, linha branca e automotivo. Assim, na opinião de Sousa, a retomada do crescimento das ferramentarias pode ser atribuída a vários setores.

O diretor menciona que, sob o seu ponto de vista, atualmente as ferramentarias nacionais estão em melhor situação do que as ferramentarias europeias que, por conta da transição dos veículos tradicionais para os elétricos, estão com menor demanda do setor automotivo.

Sobre a modernização das ferramentarias nacionais, Sousa comenta que existem investimentos em maquinário e equipamentos, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido quanto à automação e robotização. 

“Estamos no Brasil há 10 anos e temos apenas um case de robotização. Então, a transformação tecnológica que vejo está relacionada à compra de equipamentos e não aos processos produtivos”, argumenta.

Em 2020, mesmo com os desdobramentos da pandemia, a Zextec cresceu cerca de 25%. Até o mês que vem a consultoria deve bater o faturamento do ano passado inteiro. Sousa acredita que em 2021 a empresa deve alcançar de 60 a 70% de crescimento. (Sheila Moreira)

Fonte: Usinagem-Brasil



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