Empresas de ferramentaria têm participação menor que 1% no mundo

Programa Rota 2030 tem o propósito de tornar o setor mais competitivo nos mercados nacional e internacional 

Não é novidade que o mercado de ferramentaria tem enfrentado dificuldades nos últimos anos, faltam competitividade e produtividade para se manter vivo em um segmento altamente promissor, que movimenta 35 bilhões de dólares no mundo. 

Porém, o Brasil participa com menos de 1%, segundo dados do MIDC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços). “Não estamos só deixando de atender oportunidades locais, como as que existem fora do País”, disse Ricardo Magnani Andrade, gerente da coordenadoria de desenvolvimento de negócios do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), durante palestra na 12ª ENAFER, realizada nesta quinta e sexta-feira. 

O Brasil, de acordo com o especialista, deixa de gerar 5 mil empregos por conta de ferramentais que estão sendo comprados fora. O preço competitivo, a agilidade e a qualidade obtidos no mercado externo fazem com que as empresas nacionais optem pela importação. Porém, há um mercado bilionário para ser explorado. Em 2018, só no Brasil foram investidos 2,5 bilhões de dólares em ferramentais para dois terços dos veículos mais vendidos. 

Além disso, programas como o Rota 2030 deverão repercutir positivamente para quem atua no mercado de ferramentarias, de acordo com Magnani.  A iniciativa, que virou lei no ano passado, visa aumentar a competitividade do setor automotivo, a partir de metas – como eficiência energética– que devem ser cumpridas pelas montadoras. 

Como contrapartida, o governo está estimulando o investimento em pesquisas e desenvolvimento para toda a cadeia produtiva. As empresas que focarem em P&D terão subsídios de até 45% que poderão ser abatidos do Imposto de Renda e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), além de outros benefícios. 

Como forma de tornar a lei mais benéfica para o setor de ferramentaria, a Fundep (Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa) é a coordenadora-geral do “Ferramentarias Brasileiras mais Competitivas”, projeto que está em análise para ser incluso no Rota 2030. 

Já o IPT é o responsável técnico pela iniciativa, que também terá apoio de instituições de ensino e pesquisa, parques tecnológicos e entidades representativas, como a ABINFER, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a Associação de Engenharia Automotiva. 

“O trabalho precisa ser feito em conjunto para o desenvolvimento de novas tecnologias que façam frente a concorrência internacional e dentro da nova realidade da indústria 4.0. Queremos fortalecer o setor habilitando novas competências técnicas e gerenciais. Permitir que tenham acesso fácil a tecnologia de vanguarda, restabelecendo a competitividade do setor”, conclui. 



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