Demissões crescem e tendem a aumentar

Montadoras cortaram 1,5 mil vagas em julho e já demitiram 6,5 mil em 12 meses

Com a queda drástica de vendas e produção causada pela pandemia de coronavírus, sem previsão de retomada nos próximos anos, alguns fabricantes de veículos já deram início a processos de corte em massa de pessoal, como já aconteceu no fim de julho com 747 demissões anunciadas pela Renault na fábrica de São José dos Pinhais (PR), cerca de um mês depois de a Nissan demitir 398 funcionários na planta de Resende (RJ). De acordo com números divulgados pela associação que reúne as empresas do setor, a Anfavea, a indústria desligou 1.484 empregados somente no mês passado e 6.148 foram demitidos nos últimos 12 meses.

De acordo com Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, é grande a preocupação sobre a tendência de crescimento das demissões nas fabricantes de veículos nos próximos meses, principalmente a partir de setembro, outubro e novembro, quando termina a maior parte dos acordos baseados na Medida Provisória 936 (convertida na Lei 14.020) que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda do governo federal, que permite redução de jornada e salários ou afastamento temporário (layoff) por até 120 dias, com garantia de estabilidade pelo mesmo período. Nissan e Renault nem quiseram usar todo o prazo e fizeram as demissões antes mesmo do fim do período de estabilidade, pagando a indenização dos meses que estavam garantidos.

“Como já havia sinalizado há dois meses o cenário é bastante preocupante, porque mesmo que a queda da produção seja menor do que os 40% que projetamos, ainda assim a retração será muito grande e ameaça o emprego. As medidas que foram tomadas ajudam a postergar as demissões, mas isso vai depender da reação do mercado”, afirma Luiz Carlos de Moraes.

A indústria terminou julho com 122.517 empregados, número 1,2% menor do que os 124.001 de junho e quase 5% abaixo do quadro de 128.665 funcionários registrados em julho de 2019. Segundo Moraes, além dos maiores cortes realizados pela Renault e Nissan, muitas empresas fizeram o movimento de não renovar contratos temporários.

“Essa redução é preocupante, porque temos empregados muito bem treinados, profissionais qualificados em novas tecnologias como indústria 4.0, mas as necessidades de ajustes no quadro aconteceram e poderão acontecer mais nos próximos meses”, lamentou Moraes. 

A indústria encara as demissões como prejuízo, pois investe na qualificação dos funcionários e quando precisa demiti-los perde esses recursos e ainda precisa pagar as verbas rescisórias. Depois, quando o mercado reage, é necessário investir novamente em contratações.

Fonte - Automotive Business - Por PEDRO KUTNEY



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