Como está a produção de ferramentas no mundo?

Com a maioria das fábricas automatizadas, a produção dos fabricantes de ferramentas de corte no mundo não foi muito afetada, em comparação com outros segmentos industriais, pela crise do coronavírus. Porém, a queda do ritmo da produção industrial global certamente irá mexer com os volumes de produção ao longo dos próximos meses.

Na Suécia, por exemplo, onde estão as principais unidades fabris de dois dos maiores produtores mundiais de ferramentas, a Sandvik Coromant e a Seco Tools, as atividades industriais não foram paralisadas. A Suécia, aliás, é uma das raras exceções entre os países ocidentais que não adotaram medidas emergenciais devido à pandemia de Covid-19.

Sandvik Coromant - Em resposta à reportagem do Usinagem-Brasil, a Sandvik Coromant informou que poucas unidades precisaram ser fechadas, atendendo decisões de governos locais. A empresa não detalhou quais, mas é de se supor que tenham sido as fábricas instaladas na China e na Índia. “Somos uma companhia global, com fábricas e distribuidores em todo o mundo. Se preciso, podemos realocar os produtos de unidades paralisadas para outras unidades de produção para suportar os pedidos dos clientes”, diz a empresa.

 Ainda segundo a Coromant, os estoques no momento estão em bom nível e os centros de distribuição estão operacionais em todo o mundo, com capacidade para atender as solicitações dos clientes. “Estamos em contato regular com nossos fornecedores estratégicos e continuamos a monitorar a situação para assegurar o fornecimento aos nossos clientes”, destaca.

Quanto à filial brasileira, Cláudio Camacho, vice-presidente de Vendas para as Américas do Sul e Central, explica que os estoques estão sendo repostos normalmente e que não houve problemas com importações. “Nosso warehouse e logística não foram interrompidos, e estamos preparados para a retomada do mercado”, diz o executivo. “Ainda não temos condições de projetar o novo nível de produção e consumo do mercado brasileiro no pós-crise, porém já estamos trabalhando em conjunto com alguns clientes que estão retomando as atividades e em breve deveremos ter esta projecão”.

Ceratizit - Com unidades fabris em 35 países, a Ceratizit só precisou paralisar as atividades de uma fábrica, instalada nas próximidades de Milão, a região mais afetada pela pandemia na Itália. A unidade - que produz matrizes de metal duro - interrompeu a produção por duas semanas e, na semana passada, retomou as operações.

“A grande maioria das plantas na Europa, incluindo as principais, estão operando com capacidade total. Algumas estão operando com redução de cerca de 20%, para que, entre os turnos de trabalho, seja feita higienização de máquinas e equipamentos“, explica Marcos Mantovani, diretor-geral da Ceratizit do Brasil.

Mantovani informa que até aqui, apesar da paralisação da produção de muitas fábricas de automóveis pelo mundo - o principal consumidor de ferramentas de corte - a matriz ainda não adotou medidas para a redução da produção. Ele diz que se estima que o impacto da redução de demanda possa chegar num primeiro momento a 30%, o que poderá levar a um rearranjo das unidades de produção no futuro próximo. “Tudo o que está ocorrendo neste momento é, na verdade, muito novo e não se sabe ao certo o real impacto, mas é possível que se adote uma redução na produção de ferramentas, seguindo as proporções de queda de demanda, sobretudo da indústria automobilística e da aeroespacial”, comenta.

Os estoques locais estão bem abastecidos. “Como a onda da crise chegou ao Brasil semanas após o ocorrido em outros continentes, especialmente Ásia e Europa, fomos sinalizados dos possíveis impactos e então fizemos um enorme abastecimento por garantia. No entanto, os embarques semanais continuam chegando normalmente”, informa.

Para Mantovani, ainda é muito cedo para qualquer avaliação sobre o impacto da crise na demanda por ferramentas no Brasil. “Qualquer avaliação neste momento ainda é especulação. Estamos monitorando os negócios para formarmos uma opinião. Em maio, é possível que já tenhamos condições de ter previsões mais factíveis”.

Walter Tools - Com sede na Alemanha, a Walter Tools só precisou interromper a produção na unidade da China no início do ano, por regulamentação local, que reabriu em 10 de fevereiro e desde então segue com operação normal.

“A Walter está monitorando atentamente a situação da produção industrial no mundo. Temos flexibilidade para reajustar o ritmo da produção, caso seja requerido devido a uma questão de saúde, ou para reagir rapidamente a qualquer mudança na demanda”, observa Salvador Fogliano, diretor-geral da Walter do Brasil.

Fogliano explica que a matriz, até o momento, não divulgou estimativas sobre alterações na demanda do mercado mundial. No Brasil, ele diz que se espera um declínio no segundo semestre, que, todavia, ainda não é possível de ser mensurado. “O nosso estoque de produtos está atualmente em nível suficiente, apenas com prolongamento de prazo para as ferramentas especiais sob demanda. Estamos enfrentando pequenos atrasos devido a desafios logísticos, como todas as empresas, mas graças aos nossos centros de distribuições globais, a situação está estável”, informa.

Fogliano acrescenta que, nas últimas semanas, a filial tem fortalecido sua capacidade de engenharia remota e trabalho virtual - também junto aos clientes -, com sucesso. “Agora vamos usar o tempo para estabelecer ainda mais esta forma moderna de trabalhar e independente do local para podermos nos beneficiar dela também no futuro”.

Kyocera - A Kyocera, fabricante de ferramentas com sede no Japão e fábricas na Europa, Estados Unidos e China, informa que em nenhum momento a produção foi interrompida nas plantas da empresa. Porém, em algumas localidades, caso da Califórnia e Ohio, as unidades estão trabalhando com recursos reduzidos devido a instruções dos governos locais.

No Brasil, a filial instalada em Sorocaba está operando com as equipes técnica e de vendas em home office. Outros departamentos estão trabalhando com número reduzido de pessoas, mas o estoque está abastecido e as entregas de pedidos de clientes estão normalizadas.

Korloy - Com sede na Coreia do Sul, “a Korloy em nenhum momento precisou paralisar a produção de ferramentas, devido às ações de prevenção tomadas pelo governo local contra o vírus”, diz Rodney Almeida, gerente-geral da Korloy do Brasil. “E a produção também não foi reduzida. Pelo contrário, as subsidiárias em todo o mundo aproveitaram para acertar todos os pedidos de fabricação com a matriz”.

Almeida conta que quando a crise do Coronavírus se instalou na China, a filial brasileira realizou um grande pedido de importação para garantir o estoque local por três meses, a partir de maio. “Os embarques continuam normalmente e essa importação que fizemos garantiu a variação cambial que inevitavelmente estaria atrelada a essa pandemia”, observa.

Na avaliação do gerente, a demanda por ferramentas no mundo passará por uma queda que pode chegar a 40%, num primeiro momento. “No Brasil, acredito que o mercado retorne em agosto, mas não em sua inteira normalidade. Com isso prevejo uma queda em torno de 60% no período entre maio e julho”.

Fonte Usinagem Brasil 



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