CBMM investirá R$ 7 bi para aumentar produção de nióbio

Maior fabricante de semiacabados de nióbio do mundo, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que tem o seu centro de produção em Araxá (MG), pretende iniciar a partir de 2022 um novo ciclo de investimentos estimados em R$ 7 bilhões. 

O objetivo da empresa é aumentar a capacidade atual de produção da unidade de 150 mil t/ano para 210 mil t/ano até 2027.

Os aportes serão empregados principalmente para atender novos usuários de produtos de nióbio, como os fabricantes de baterias para carros elétricos

Hoje, 90% da produção da CBMM são destinados ao mercado siderúrgico, na forma de ferronióbio, liga metálica composta por 65% de nióbio e 35% de ferro.

Essa liga é comumente empregada na fabricação de alguns tipos de aços usados em carrocerias de veículos, navios, pontes, viadutos e gasodutos. 

A adição de teores mínimos de ferronióbio, na ordem de 0,05%, torna o aço mecanicamente mais resistente, sem reduzir sua tenacidade, que é a capacidade de se deformar plasticamente sem sofrer ruptura. 

Com isso, na indústria automotiva, por exemplo, as carrocerias dos carros podem ficar mais finas e leves, sem perder a resistência.

Os 10% da produção restante da CBMM  – que não vende o minério-base, mas apenas os seus derivados industrializados -são utilizados para a fabricação de produtos que, em geral, são de alta tecnologia.

O nióbio metálico, por exemplo, destina-se à produção de fios supercondutores que equipam tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética e aceleradores de partículas. 

Produzido na forma de lingotes – cilindros maciços compostos por 99% do metal -, o nióbio metálico tem propriedade supercondutora e elevada resistência à corrosão.

Bastante resistentes ao calor, já as ligas de nióbio de grau vácuo, com elevado nível de pureza, servem de matéria-prima para turbinas aeronáuticas, motores de foguetes e turbinas terrestres de geração elétrica.

A empresa também fornece o óxido de nióbio, produto utilizado na fabricação de telescópios, lentes de câmeras de segurança, catalisadores e baterias de carros elétricos, o segmento que vem se mostrando o mais promissor para a CBMM. 

A intenção da empresa é massificar o uso do nióbio no lugar do caro (e bem mais raro) lítio na bateria dos carros elétricos. 

As baterias de nióbio, comprovadamente, permitem menor tempo de recarga e maior autonomia do que as baterias de lítio.

Mobilidade

 “Até 2030, queremos ter 35% do nosso negócio na área de baterias de carros elétricos, já que essa modalidade de propulsão está avançando a olhos vistos na indústria automotiva mundial”, diz o presidente da empresa, Eduardo Ribeiro. “Mas não adianta criarmos novas frentes se não pudermos atendê-las no volume necessário, daí a necessidade de novos investimentos na produção”, argumenta.

Segundo Ribeiro, a meta é fazer do segmento de bateria elétrica o segundo maior segmento dentro da companhia. Apenas com esse mercado, a estimativa é de que seja possível comercializar por ano 45 mil t de óxido de nióbio até 2030. 

Ele acrescenta que a companhia inclusive já estruturou parcerias com companhias mundiais para o desenvolvimento de baterias de nióbio mais aperfeiçoadas.

Os novos investimentos foram anunciados pela empresa num momento de plena recuperação da queda provocada pela pandemia da Covid-19, que reduziu a demanda de todos os setores atendidos pela companhia. 

A CBMM pretende produzir 100 mil t até o final de 2021, aproximando-se dos níveis de 2019, quando produziu 91 mil t de produtos de nióbio. Em 2020, o ano de pico da pandemia, a produção comercializada ficou em 72 mil toneladas.

A CBMM já vinha investindo pesado, na verdade – os novos investimentos podem ser encarados como um prolongamento do plano de 7 anos que está sendo concluído agora, e cuja meta era vender 180 mil t de produtos de nióbio em 2030. 

Foram aplicados R$ 3 bilhões para aumentar a capacidade de produção de 100 mil t para as atuais 150 mil t por ano.

Os aportes no período 2022-2027 serão maiores porque incluirão, além de novas plantas que serão construídas em Araxá, investimentos em uma usina eólica no complexo para a geração de parte da energia que será consumida, e a abertura de uma nova área de disposição de rejeitos, a seco, que consumirá R$ 2 bilhões.

“Não se trata de nenhuma tecnologia nova, mas é a mais recomendada para a nossa atividade”, observa Ribeiro. “É óbvio que é impossível dispor os rejeitos 100% a seco, já que temos uma quantidade muito grande de rejeitos finos no beneficiamento do nióbio. Mas a nossa meta é empilhar até 70% do rejeito a seco.”

De acordo com o executivo, a CBMM já obteve a licença ambiental para a instalação da nova estrutura.

O depósito a seco deverá entrar em operação no final de 2026 ou início de 2027. Já a parcela de rejeito fino que não poderá ir para este depósito será disposta numa barragem a jusante.

MOREIRA SALLES – Detectado em 1801 pelo químico inglês Charles Hatchett, o nióbio é um metal brilhante, extraído principalmente do mineral columbita, e classificado como de baixa dureza e relativamente maleável.

Ficou conhecido da maioria dos brasileiros depois que o então candidato a presidente Jair Bolsonaro enalteceu em 2018 as virtudes do metal em um vídeo de 20 minutos. 

Até então, poucos no país tinham ouvido falar do nióbio, apesar da jazida nos arredores de Araxá, cidade localizada a 360 km de Belo Horizonte, ter sido inaugurada pela CBMM em 1955.

Em 1965, o controle da CBMM passou às mãos da família Moreira Salles, uma das acionistas do Itaú Unibanco, que em 2011vendeu 15% do negócio a um grupo de fabricantes de aços chinês e outros 15% a um consórcio de empresas do Japão e da Coreia do Sul, também com atividades no setor siderúrgico.

O Brasil detém 98% dos depósitos de nióbio em operação no mundo, seguido por Canadá e Austrália. Um levantamento indica que as reservas brasileiras de nióbio somam 842,4 milhões de t, com Araxá concentrando 75% do total. A reserva de Araxá tem material o bastante para 200 anos de exploração.

Outros 21% estão em depósitos não comerciais na Amazônia e 4% localizam-se em Catalão (GO). A jazida goiana é explorada pela chinesa CMOC International Brasil, subsidiária da mineradora China Molybdenum. 

Juntas, as duas minas brasileiras respondem por 82% do nióbio vendido no mundo, em torno de 120 mil t/ano. A CBMM produz 90 mil t e a CMOC em torno de 9 mil toneladas.

Além de possuir enormes reservas, o Brasil também é responsável por grande parte da comercialização desse metal. No entanto, apesar da sua evidente utilidade nas indústrias do aço e de alta tecnologia, o nióbio é um material cuja cotação não é das maiores no mercado internacional. 

De fato, o ouro, por exemplo, é vendido por quase o dobro do valor de mercado do nióbio. Um fator importante que contribui para a relativa desvalorização do nióbio é que ele não é um metal imprescindível na indústria. 

Ou seja, trata-se de um metal substituível, podendo ser usados outros metais nas ligas que não seja ele.

Para o Brasil, a alta produção de nióbio tampouco traz muitas vantagens comerciais, pois se o metal não é vendido em sua forma bruta, como o minério de ferro, tampouco agrega muita tecnologia – é um típico produto semiacabado. 

O Brasil, de modo geral, importa os produtos de alta tecnologia que utilizam em sua composição o material extraído das jazidas mineira e goiana.

Diga-se que, embora movimente grandes volumes em termos absolutos, o nióbio tem ainda um mercado comparativamente pequeno no Brasil e no mundo. 

De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil comercializou em 2017, um bom ano, R$ 88,46 bilhões de substâncias metálicas, mas só R$ 635 milhões foram de nióbio – ou 0,7%.

Até como produto de exportação o desempenho do nióbio é tímido. Das 10 principais substâncias metálicas mais produzidas no Brasil, o nióbio é apenas o quinto mais exportado. 

Os principais compradores são China, Estados Unidos, Holanda e Japão, mas por nenhum desses países o nióbio é a substância mais procurada. Uma situação que pode mudar se as baterias de nióbio participarem do boom dos carros elétricos, como quer a CBMM. (Alberto Mawakdiye)

Fonte Ipesi 



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