Transformação digital na indústria: o que significa e quais são os efeitos para o setor

Por Walter Sanches

A transformação digital tem revolucionado o cenário empresarial nos últimos anos. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), sete em cada dez empresas brasileiras já utilizam ferramentas digitais em seus processos produtivos. Na indústria, essa tendência também já é realidade. Um estudo da McKinsey estima que, até 2025, os processos relacionados à Indústria 4.0 poderão aumentar a eficiência do trabalho entre 10% e 25%.

Nesse contexto, a transformação digital na indústria tem se expandido rapidamente, tornando-se essencial para empresas que desejam se destacar no mercado. Esta digitalização permite elevar a operação industrial a outro patamar, onde os processos não apenas fluem de maneira mais ágil, mas também geram informações importantes para uma tomada de decisão mais analítica e assertiva. Isso resulta em ganhos significativos de produtividade, qualidade, redução de custos e maior precisão nos prazos de fornecimento.

Desafios da transformação digital na indústria

A transformação digital é um processo complexo, que exige atenção em quatro pilares fundamentais. O primeiro deles está relacionado ao alinhamento de negócio, no qual é essencial compreender a fundo como a tecnologia pode ampliar os resultados da indústria e adaptar os objetivos comerciais para explorar ao máximo novas oportunidades.

Nesse sentido, é importante que as lideranças estejam comprometidas não apenas em adotar novas tecnologias, mas também em transformá-las em um diferencial competitivo alinhado a visão de longo prazo da empresa.

O segundo pilar contempla as pessoas, tendo em vista que a capacitação e o engajamento dos colaboradores são cruciais para uma operação fortalecida. Desta forma, é necessário investir em treinamento e desenvolvimento para que as equipes estejam aptas a lidar com novas tecnologias e métodos de trabalho. Isto está diretamente ligado a cultura organizacional da companhia, que deve ser moldada para encorajar a inovação, uma vez que a resistência às mudanças é um dos principais entraves para uma transformação digital efetiva.

Os processos constituem o terceiro pilar e envolvem a adaptação das operações da empresa para que se tornem mais eficientes, promovendo ganhos significativos de produtividade. Neste sentido, um dos passos chave para uma implementação eficaz da digitalização é o conhecimento detalhado dos processos e a capacidade de percepção analítica, que propicia identificar padrões de erros e buscar soluções mais assertivas para a resolução de problemas.

O quarto pilar é a própria tecnologia, que deve ser selecionada com base nas necessidades específicas de cada indústria. Neste caso, destacam-se os investimentos em recursos tecnológicos emergentes como Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e análise de dados.

O poder da IA no processo de transformação digital

À medida que novas tecnologias emergem, é fundamental que as indústrias fiquem atentas aos processos inovativos para manterem suas operações alinhadas ao que há de mais atual no mercado. Apostar em inovação significa potencializar a capacidade analítica e, a partir disso, desenvolver estratégias de aprimoramentos e busca por resultados positivos.

Com a evolução das tecnologias baseadas em IA, por exemplo, as decisões nos processos produtivos serão cada vez menos intuitivas e mais baseadas em dados precisos, reduzindo significativamente o risco de erros, antecipando falhas e prolongando a vida útil de maquinários, o que se traduz em economia de custos e aumento de produtividade.

Além disso, a coleta desses grandes volumes de dados em tempo real viabilizará o próximo nível, que é o uso de redes neurais de Inteligências Artificiais nas análises, aumentando significativamente o ritmo do diagnóstico das informações e possibilitando novos insights que hoje sequer imaginamos.

Esses insights estão diretamente ligados às estratégias que geram alta performance nos processos industriais. A IA é capaz de identificar padrões e tendências que passam despercebidos pelos métodos tradicionais, contribuindo para uma melhor previsão de demanda e gestão de recursos. Isso resulta em operações mais eficientes, com menor desperdício e maior qualidade nos produtos finais, além de uma percepção cada vez mais positiva dos serviços pelos clientes.

A implementação

Mudanças nem sempre são fáceis de serem implementadas. Ao passo que muitas empresas estão avançando rapidamente na transformação digital e já atingiram um alto nível de maturidade na digitalização de seus processos, outras ainda progridem mais lentamente. No entanto, o fato é que as indústrias que não adotarem práticas digitais correm o sério risco reduzir drasticamente sua competitividade.

Por isso, cada um dos pilares destacados anteriormente deve ser considerado para sustentar a transformação digital, especialmente no que diz respeito às pessoas. Elas estão diretamente envolvidas nas operações diárias da indústria, o que exige um preparo da equipe para maximizar os benefícios oferecidos.

É preciso que os funcionários estejam engajados e motivados a participar das ações, conhecendo os trâmites a fundo e contribuindo com ideias que impulsionem a inovação. A tecnologia é um elemento crucial no início, mas, com o tempo, se tornará coadjuvante até que um novo ciclo de inovação apareça.

Diante desse cenário, fica claro que a digitalização não é apenas uma tendência passageira, mas uma necessidade vital para a sobrevivência das indústrias no mercado. Ao apostar em novas tecnologias, as indústrias não apenas se tornam mais competitivas, mas também se posicionam na vanguarda da inovação.

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Walter Sanches

Diretor de TI e Planejamento da Termomecanica, empresa líder na transformação de Cobre e suas ligas.