Sua empresa é produtiva?

A produtividade é definida pela relação entre os valores de saída e os valores de entrada. Para incrementar esse resultado, é possível reduzir custos e/ou melhorar a eficiência dos processos produtivos.


Esta é uma boa pergunta para iniciarmos o artigo. Antes, todavia,precisamos entendero que é produtividade.


Produtividade, no sentido empresarial, é aquilo que a organização consegue produzir em termos de resultados com os ativos que tem. Isto significa não somente a maximização da produção, mas também a produção dos produtos/serviços que tragam a maior margem de contribuição para a empresa.


Produtividade está relacionada com o resultado (lucro) e não obrigatoriamente com o faturamento.


A produtividade como um todo não depende somente dos empresários, mas sim da situação geral do país. O fato de termos deficiências estruturais, índices de educação muito baixos, impostos elevados, burocracia em níveis quase insuportáveis, entre outros atrapalham a produtividade em geral. O que diferencia empresas produtivas de empresas não produtivas é a forma como estas tratam as variáveis internas que impactam a produtividade e que estão sob controle da organização.


Infelizmente nosso país tem perdido posições em termos de competitividade global. Segundo dados recentes do Fórum Econômico Mundial, só no último ano perdemos 18 posições neste ranking passando do 57º lugar para 75º lugar, a pior posição na série histórica. Apesar deste contexto de adversidades, muitas de nossas empresas não só se mantem, mas também se desenvolvem e crescem. Grande parte disto é expressa pela alta qualidade dos empresários e executivos.


Figura 1-Posições do Brasil na classificação do Relatório Global de Competitividade 2006-2015


Quando comparamos a produtividade média de um trabalhador brasileiro com um americano percebe-se uma relação de um para cinco. Precisamos de cinco brasileiros para gerar a mesma riqueza que um americano gera. Este número provem da divisão da geração de riquezas pelo número de trabalhadores, que nos EUA gira em torno de US$ 100.000,00/ano/trabalhador e aqui no Brasil está em US$ 20.000,00/ano/trabalhador. Isto é o resultado da soma de muitos fatores, incluindo os externos e internos já comentados anteriormente, mas também impactado pelos modelos de negócios praticados lá e aqui. Somos uma economia de menor valor agregado quando comparado aos EUA.


Vendemos commodities tais como café, soja, minérios, entre outros. Estes produtos são beneficiados por outros países que agregam muito mais valor que nós. Por exemplo, exportamos uma saca de café por R$ 600,00. Esta é a riqueza que produzimos. Com esta saca de café se fazem milhares de doses de café solúvel que são vendidas nas cafeterias por US$ 5,00 cada, gerando, portanto, uma riqueza muito maior que a brasileira.


As medidas que o Brasil deveria adotar na busca da produtividade são conhecidas e envolvem: redução de impostos, redução de burocracia, melhoria da infraestrutura e, principalmente, maciços investimentos em educação de qualidade. Infelizmente isto parece utópico no momento atual de nossa nação.


Nas organizações é preciso fazer da produtividade uma busca diária. Processos precisam ser questionados e colaboradores precisam ser motivados a inovar. Enfim, novas formas de fazer as coisas precisam ser pensadas.


A medida da produtividade nas organizações não é uma questão muito complexa. Basta fazer um fluxo de como os produtos/serviços são produzidos através dos ativos existentes. Isso permite determinar os gargalos e consequentemente o máximo teórico possível considerando estes ativos todos produzindo 100% de sua capacidade. A divisão de quanto se está produzindo por este máximo teórico vai dar o percentual de produtividade. Por exemplo, se determinada empresa tem capacidade de produzir 1.000 cadeiras e está produzindo apenas 680 unidades, sua produtividade é de 68%. Com base neste indicador, é possível determinar ações para aumentar a produtividade.


Apesar da simplicidade da fórmula da produtividade a maioria das empresas tem dificuldade em chegar a este número. Isto decorre do dinamismo das organizações e do mercado que faz com que ativos sejam adquiridos e incorporados ao processo produtivo não por planejamento, mas sim dando vazão a uma série de acontecimentos, demandas, oportunidades, crises, problemas, etc. que estas sofrem com o passar dos tempos. Esta movimentação de ativos acaba gerando um desbalanceamento entre o que a empresa produz e sua capacidade de produzir e obter resultados.


Aumentar a produtividade é uma ação sem qualquer contraindicação. A produtividade é que traz a competitividade. Quanto mais produtiva uma empresa for, maior será sua capacidade não só de se manter no mercado, mas principalmente de crescer e aumentar sua participação e seus resultados. A produtividade impacta no poder de compras das pessoas. Quando a produtividade cresce mais que os salários, os produtos ficam mais baratos e as pessoas podem comprar mais. Quando os salários crescem mais que a produtividade esta diferença vai para os preços dos produtos e as pessoas não conseguem manter seus níveis de compra.


O Brasil tem convivido com esta realidade nos últimos anos, o que nos galgou a um dos países mais caros do mundo na atualidade. Nada contra aumentos de salários, mas estes deveriam sempre vir respaldados por melhoria da produtividade.


Quando falamos em elevação da produtividade é comum confundir com redução de custos. Na verdade não é a mesma coisa. A redução de custos deve ser adotada como estratégia de toda a empresa, sempre.


Cada área deve e pode reduzir seus custos e simplificar processos. Reduzir custos deve ser uma busca constante. Já a melhoria da produtividade, se for adotada como estratégia para toda a empresa, pode até gerar aumento de custos, mas necessariamente deverá resultar em melhores ganhos para a corporação. Para que uma empresa possa aumentar sua produtividade é necessário entender onde estão seus gargalos e suas limitações e então agir primordialmente nestes pontos.



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