PCP: o que é o planejamento e controle da produção

PCP (Planejamento e Controle de Produção) é um processo para ajuda no gerenciamento da produção de uma indústria.

Através dele a empresa consegue: planejar quando, quanto, onde produzir, em que ordem produzir e checar se tudo está funcionando conforme planejado.

O PCP é essencial em uma fábrica para assegurar que a empresa está de fato produzindo os melhores produtos, da melhor forma e de acordo com um planejamento feito anteriormente.

Afinal de contas, se a indústria não planejar, programar e tiver controle sobre a produção, irá ter dificuldade para se manter competitiva e com a qualidade esperada.

Neste artigo você irá compreender o que é PCP, quais são os benefícios do PCP, quais são as etapas do PCP e como um sistema de PCP funciona. Confira:


Benefícios do PCP

O PCP proporciona muitos benefícios para uma indústria. Abaixo está uma lista com os principais benefícios do PCP:

• Melhoria do fluxo de materiais na linha de produção;

• Colabora para a redução no investimento em inventário;

• Possibilita que os gestores apliquem decisões mais assertivas;

• Melhora a produtividade dos colaboradores;

• Melhora a produtividade de máquinas e equipamentos;

• Planejamento e domínio da produção de forma eficaz;

• Organização de matérias-primas para estarem disponíveis assim que necessárias no decorrer da produção;

• Aumento na qualidade dos produtos fabricados;

• Minimiza o tempo ocioso;

• Melhora a capacidade produtiva da empresa;

• Organiza os cronogramas de produção da fábrica;

• Auxilia a controlar e monitorar a performance da produção;

• Minimiza perdas na produção e desperdícios em geral;

• Reduz os custos operacionais da empresa;

• Auxilia na manutenção de níveis ideais de;

• Otimiza o tempo de produção e o mantém em um nível ideal;


Objetivos do PCP


O PCP tem 4 grandes objetivos, segundo o mestre em engenharia de produção, Marcos Chaves, assim sendo:

• Monitoramento da produção.

• Programação da produção;

• Sequenciamento e priorização da produção;

• Carregamento de máquinas e postos de trabalho;


O PCP satisfaz esses objetivos ao responder as perguntas abaixo:

• Quando produzir?

• Onde e quando produzir?

• Em que ordem produzir?

• A execução está de acordo com o planejado?


Cada um deles funciona da seguinte forma:

1º – Programação da produção: “quando produzir?”

A primeira finalidade do planejamento e controle da produção é justamente programar a produção.

É preciso avaliar a demanda total a ser produzida pela fábrica e então definir quando cada atividade de produção será executada.

Basicamente, existem duas formas para a programação da produção:

• Programar a produção para frente – Onde o objetivo é reduzir o prazo de entrega e programar o andamento das tarefas para o primeiro momento em que os recursos estiverem disponíveis.

• Programar a produção para trás - Onde o objetivo é minimizar os recursos e o tempo previsto. Funciona definindo em qual momento a tarefa precisa estar concluída e então programando os serviços para que essa data seja atingida.


2º – Postos de trabalho e Carregamento de Máquinas: “onde e quando produzir?”

A programação da produção só irá funcionar se as máquinas e os postos de trabalho tiverem suas capacidades determinadas. Dessa maneira a indústria consegue saber onde e quando produzir.

Geralmente a fábrica pode definir o carregamento de duas maneiras:

• Carregamento finito - Onde as etapas do processo produtivo tem sua capacidade mensurada e considerada. É preciso analisar se a capacidade do centro de trabalho terá suporte a demanda planejada para a produção e dessa forma programar as etapas produtivas.

• Carregamento infinito – Algumas empresas têm diversas programações possíveis em cada momento e por esse motivo é impraticável calcular o carregamento de cada uma das máquinas e postos de trabalho.

O aconselhado neste caso é utilizar o carregamento finito apenas para o posto gargalo da produção e o carregamento infinito para os demais centros de trabalho.

3º – Priorização e sequenciamento da produção: “em que ordem produzir?”

Neste ponto o objetivo do PCP é sequenciar a produção e definir qual é a melhor ordem para realizar as tarefas.

É normal acontecer de diferentes produtos partilharem a mesma etapa produtiva ou até usarem o mesmo equipamento na produção. Dessa forma, é necessário definir quais produtos terão menor e maior prioridade.

Geralmente os gestores utilizam as formas FIFO e LIFO:

• FIFO (First in, First out) ou PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair)

Nesse modelo de sequenciamento os pedidos são produzidos de acordo com a ordem em que entram na produção

• LIFO (last in, first out) ou UEPS (último a entrar, primeiro a sair)

Nesse modelo os últimos pedidos são produzidos primeiro.

4º – Acompanhamento da produção: “A execução está seguindo o planejamento?”

Para concluir os objetivos principais do PCP, agora é a hora de acompanhar a produção e verificar se ela está de fato caminhando conforme o planejamento feito anteriormente.

Em geral, existem duas formas de realizar esse controle da produção:

• Controle empurrado - Onde os postos de trabalho passam (ou empurram) o material ou produto semiacabado para a etapa seguinte logo que finalizam sua atividade.

• Controle puxado - Onde o centro de trabalho pede (ou puxa) o material ou produto semiacabado da etapa precedente. Dessa maneira uma atividade puxa a outra, que puxa a anterior e assim consecutivamente.


Infográfico objetivos do PCP

Veja abaixo um infográfico dos objetivos do PCP em uma indústria:


Infográfico dos objetivos do PCP

Etapas do PCP

Para executar o planejamento e controle da produção, precisamos seguir alguns estágios do processo.

As etapas do PCP seguem uma ordem similar aos objetivos do PCP vistos acima, primeiro planejando e depois controlando:

1ª – Estimativa de demanda da produção

Para por o planejamento em prática, é preciso primeiro prever o volume de vendas/demanda no período. Temos como fazer isso através da estimativa de vendas.

Assim é possível prever qual será a demanda de materiais, da produção e do pessoal. Este planejamento deverá ser realizado tanto para curto quanto para médio/longo prazo.

2ª – Planejamento da capacidade produtiva

Depois de ter um entendimento da demanda do período e também prever o longo prazo, agora a empresa deve ajustar a capacidade produtiva para atender a demanda.

É necessário determinar se será preciso aumentar a capacidade empregando mais pessoas e comprando mais máquinas ou se é necessário diminuir a produção e a mão de obra à disposição.

3ª – Planejamento agregado da produção

O propósito nesse ponto é estipular qual é a estratégia de produção ideal para a fábrica.

Geralmente o planejamento agregado da produção é realizado uma vez por ano, revisado mensalmente e contém informações como:

• Quantidade de estoque e produção mensal

• Contratação e demissão de pessoas

• Contratação de horas extras

• Contratos com fornecedores

• Contratos com empresas de logística

O propósito é gerar um ponto de referência para tomar decisões referentes à demanda e capacidade da empresa durante o ano.

4ª – Plano mestre da produção

Nesse estágio a atenção está nos planos de produção no curto prazo e de forma operacionalizada.

A empresa examina e direciona seus recursos para atender a demanda do período, isto é, para fabricar a quantidade correta, na hora certa.

O planejamento precisa ser o mais detalhado possível, contendo itens, quantidades e estoques.

O plano mestre da produção é mais detalhado do que o planejamento agregado e também deve levar em conta os pedidos que estão abertos na produção.

5ª – Programação Detalhada da Produção

É o estágio que a indústria realmente começa a gerenciar o chão de fábrica, sua rotina e suas tarefas.

Neste estágio é necessário planejar:

• A quantidade de materiais;

• A organização do estoque;

• Definir lotes para os produtos;

• Definir a sequência das ordens de produção;

• Definir os padrões e a geração das ordens de produção.


6ª – Controle de produção

Após o planejamento ter sido feito, é hora de controlar a produção e checar se está tudo de acordo com o combinado.

Neste estágio sua equipe deve medir e analisar os dados informados pelo seu sistema de gestão para constatar problemas, aprimorar processos e realizar ajustes adicionais.

Esse controle possibilitará tomar decisões mais assertivas na hora de melhorar os processos da sua empresa.


Quais são as funções do analista de PCP?

A forma ideal de implementar o PCP na sua indústria é possuindo um time responsável pelo planejamento e controle da produção.

O analista de PCP é uma das peças fundamentais deste time. Abaixo estão as principais atividades de um analista de PCP:

1. Checar as necessidades de matérias-primas, embalagens e materiais de consumo

2. Enviar solicitações de compra e acompanhar o processo

3. Confirmar ordens de produção de semiacabados

4. Analisar previsões de venda

5. Planejar e desenvolver o plano de produção

6. Rodar o MRP e gerar necessidades de compras e produção

7. Averiguar o custo da produção

8. Alinhar com o planejamento da manutenção

9. Recomendar aumento ou redução de capacidade

10. Ter comprometimento com a qualidade

11. Checar carga e capacidade no CRP

12. Verificar e liberar as ordens de produção

13. Desenvolver a programação da produção com o ERP ou um APS

14. Suporte ao comercial na expectativa de prazos de entrega

15. Acompanhar clientes no diligenciamento da produção sob encomenda

16. Administrar os indicadores de PCP

17. Acompanhar as etapas da produção

18. Fazer o controle da produção

19. Auxiliar a produção a cumprir prazos prometidos


Ferramentas de suporte ao PCP

Para por isso tudo em prática, você pode utilizar ferramentas de gestão que vão tornar o processo mais fácil e intuitivo:

Kanban

É uma metodologia de gestão à vista que, de forma geral, divide as atividades nas colunas “fazer”, “fazendo” e “feito”.

Criado pela Toyota na década de 40 (e colocada em prática em 1953), a forma simples e os benefícios que proporciona fez do Kanban um dos métodos mais usados em empresas de todos os segmentos.

Somente separar as tarefas dessa forma em um quadro já auxilia a compreender melhor como está o progresso de cada atividade.

Dessa forma, o gestor consegue identificar se os prazos estão sendo seguidos e onde estão os gargalos da produção.

Six Sigma

O Six Sigma procura demonstrar uma escala de qualidade onde “1-Sigma” é o nível com maior número de defeitos e “6-Sigma” é o padrão ideal de qualidade.

Resumindo, é necessário definir objetivos e metas que a empresa deseja obter, mensurar o sistema pela qual a empresa funciona, analisar os processos que acontecem nesse ambiente e, então, procurar oportunidades de aprimorar e controlar esses processos.

Kaizen

Kaizen significa melhoria contínua, isto é, refere-se a um processo cíclico, que precisa ser constantemente revisado. O objetivo é a eliminação de qualquer desperdício, seguindo as ideias do Lean Manufacturing.

Portanto, os processos da empresa devem ser muito bem pensados, para que os padrões possam ser aplicados e para que todos trabalhem coletivamente em busca de maior eficiência.


A tecnologia no Planejamento e Controle de Produção

A Indústria tem passado por mudanças enormes nos últimos anos. O conceito de Lean Manufacturing, que tem a eficiência como princípio, é cada vez mais utilizado. Ao mesmo tempo, o avanço na tecnologia está proporcionando a digitalização completa do setor, que é o que intitulamos de Indústria 4.0.

Mas o que isso tudo tem a ver com o PCP? Tudo! Nos dias atuais a tecnologia é uma grande ajuda para traçar uma estratégia de planejamento e controle eficiente.

A utilização de um software ERP, por exemplo, auxilia na organização dos processos de venda, produção, estoque e até na gestão dos colaboradores.

Porém é possível ir além: e se você conseguisse visualizar em tempo real como cada um dos funcionários se movimenta pela empresa? Através de sistemas de Internet das Coisas isso já é possível. Através de sensores espalhados pela empresa, é possível acompanhar a rota de cada funcionário e compreender quais processos são capazes de serem otimizados.

Também podemos utilizar sensores para gerenciar o estoque e analisar a movimentação das máquinas durante o dia. Isso seria capaz de aumentar a eficiência da operação em até 20%.



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