Organizando as finanças da empresa para enfrentar um ano de desafios

Após um ano difícil, tanto do ponto de vista econômico como do comportamento das pessoas frente ao COVID-19, muitas empresas tiveram que se adaptar, reinventar, inovar para poder sobreviver nesse novo “normal” das pessoas.

E nesse novo ano, tudo muito incerto, cenários desafiadores, incertezas, projeção do PIB para o Brasil na ordem de 3%, quando que para o mundo o número é de 4%, segundo a previsão do Banco Mundial. Já a equipe econômica do Governo Federal prevê uma inflação para 2021 de 3,2% e a taxa de câmbio do dólar acima de R$ 5,00, estimando uma média no ano de 2021 de R$ 5,30.

O ano de 2021 inicia com um aumento considerável de preços na matéria-prima, insumos, entre outros, chegando, em alguns setores, a superar os 300% e, por muitas vezes, não conseguindo que essa variação seja repassada aos clientes. Adicionalmente, em alguns casos, há falta de materiais no mercado. Estes dois fatores têm diversos motivos como exportações, taxa do câmbio, lei da oferta e da procura, e outros não menos importantes.

Diante desses cenários é de fundamental importância que o empresário esteja atento à área financeira da empresa. Para tanto, seguem algumas dicas importantes para enfrentar essa “turbulência” momentânea.


Organizar e controlar

Toda organização deve fazer a gestão financeira da sua organização, necessitando conhecer e controlar suas finanças. Os resultados dos negócios estão muito justos, com margens apertadas, e qualquer descuido é fatal.

É fundamental organizar suas finanças e realizar controles adequados das contas, criar processos e controlar, podendo ser a partir de planilhas eletrônicas, ou softwares específicos, pois tudo aquilo “que não é medido não é gerenciável” (Peter Drucker).

Identifique os pontos mais críticos do processo financeiro e crie indicadores que viabilizem acompanhar e agir diariamente nas fontes causadoras, de forma a permitir o ajuste fino constante do desempenho da empresa.


Planejamento e orçamento

Traçar planos, fazer planejamento detalhado é o mínimo para definir uma meta, um resultado para a organização ao final de um período determinado.

Existem vários modelos e tipos de orçamentos que podem ser aplicados, entretanto o mais importante é utilizar aquele que se adaptar melhor a sua organização.

Uma dica de ouro: Após elaborar o orçamento faça uma reflexão a partir do orçamento criado e crie um orçamento otimista e um pessimista. Em função disso você terá uma faixa de atuação, podendo mês a mês ir corrigindo o rumo para atingir os objetivos esperados.


Fluxo de caixa e estoques

Esse é a principal tarefa do setor financeiro: olhar constantemente o Contas a Pagar e o Contas a Receber, pois o dia a dia dessa operação é o que define a saúde financeira da organização.

A dica aqui é fazer a análise no período do dia, da semana e do mês, pois dependendo da situação do saldo do dia, da semana e do mês, deve-se buscar alternativas para fechar o caixa diariamente.

Quanto aos estoques, deve ser feito um planejamento das necessidades e realizar a compra somente do necessário, uma vez que a compra demasiada afeta diretamente o fluxo de caixa. Se possível, atuar no conceito Just-in-Time (JIT).


Custo dos itens de venda

Conhecer o custo dos itens de venda é fundamental para a formação do preço de venda. Portanto, elabore o custo do produto de forma bem detalhada. Após essa etapa, é necessário comparar com o que o mercado está pagando. Se você não conhece os custos dos itens de vendas, com certeza você não sabe se está realizando as vendas com lucro ou prejuízo.

Caso já conheça os custos, a sugestão é revisar, periodicamente, levando em consideração o aumento de preços dos materiais, falta de materiais, indicadores financeiros, e outros componentes do custo, realizando a projeção do custo no decorrer do ano.

Com isso você pode fazer um planejamento de ajuste na formação do preço de vendas para repassar esses valores aos clientes.

Não esqueça de incluir na formação do preço de venda os tributos relacionados ao item.


Foco no cliente

Os clientes são a sustentação das organizações. Toda a atenção deverá ser dada para eles, conhecendo-os, realizando pesquisas, visitas, enfim, relacionamento próximo, sólido e verdadeiro. Sem eles não há faturamento. Porém, atenção máxima à concessão de crédito. Uma boa análise é necessária para melhorar a tomada de decisão e, naturalmente, reduzir o índice de inadimplência.

A dica aqui é conhecer o cliente, conhecer o histórico de compras, o comportamento de mercado, e priorizar os melhores clientes.


Reserva financeira

Para a organização ter uma boa saúde financeira e operar com tranquilidade, ela deve ter no planejamento uma reserva financeira. Assim pode aproveitar as oportunidades que o mercado oferece, seja na compra à vista de uma matéria-prima, ou investimento em um equipamento, ou ainda a postergação de pagamento de um determinado cliente.

Como dica de ouro indico: o dinheiro aplicado em uma instituição financeira rende uma taxa muito baixa, da ordem máxima de 1,5 a 2% com riscos elevados. Mas se tiver esse dinheiro reservado, pode aplicar, por exemplo, na compra de matéria-prima e, dependendo da negociação, conseguirá um desconto mínimo de 5%, gerando uma taxa de retorno muito maior que a aplicação no mercado financeiro.

Esse é um grande diferencial para a empresa que dispõe de reserva financeira: aproveitar as oportunidades e conseguir as melhores taxas sobre o dinheiro aplicado.


Investimento e inovação

Os investimentos sempre são necessários em uma organização ativa e pujante, seja para atualizar o parque fabril, gerar uma inovação tecnológica no produto, ou aumentar a capacidade produtiva. Porém deve-se ser analisado com muita cautela, principalmente se não tiver a reserva financeira para isso.

O planejamento do investimento inicia com o processo de conhecer muito bem o negócio atual, o futuro, o mercado e a concorrência.

Na sequência, fazer um estudo do Retorno sobre o Investimento (ROI) e identificar quanto vai gerar de valor para o cliente final. Deve analisar com cautela a fonte de recursos em dois aspectos: taxas de juros e valor das parcelas. Existem no mercado taxas baixas, médias e muito altas, portanto sempre analisar comparando com a taxa de juros da SELIC . Quanto ao valor das parcelas, ela deve caber dentro do orçamento da organização.


Essas são algumas dicas para cuidar da saúde financeira da sua organização. Os novos tempos são desafiadores, porém com uma boa gestão os resultados virão de forma organizada e regular.

Mantenha-se sempre atualizado com o mercado, analisando as tendências, os indicadores e o que eles afetam o seu negócio.



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