A mudança é necessária e aprender é inevitável – trace e trilhe o seu caminho

O mercado exige que os profissionais busquem o aprimoramento contínuo para se manter ou buscar novos desafios nas organizações

O ambiente de trabalho está cada vez mais competitivo, fato que leva às empresas a pensarem e se reinventarem diariamente para que novas competências sejam aprimoradas e o processo de instrução e treinamento dos profissionais se torne mais efetivo. Um processo que pode ajudar nesse desenvolvimento é a trilha de aprendizagem.

Trabalho na formação de pessoas desde 2003, passando por formação profissionalizante, técnica, graduação e pós-graduação. Tive a oportunidade de participar de projetos em várias regiões do Brasil e exterior. Não é raro, ser questionado pelos professores ou por alunos qual a melhor modalidade de ensino, a presencial ou a distância? Não é incomum também eu responder com várias outras perguntas como:

- Qual é o perfil do teu público-alvo? Qual o seu perfil?

- Quais as tecnologias que vocês têm à sua disposição e quais conhece?

- Qual a periodicidade que você vai ter que repetir esta formação?

- Você possui um grande número de profissionais para ministrarem a formação necessária?

- Seus professores estão aptos a repassarem os conteúdos de acordo com o público-alvo?

Estas e outras perguntas são fundamentais para que possamos refletir e planejar a formação a ser ofertada aos diversos tipos de alunos ou até mesmo orientá-los no seu caminhar de aprendizagem percorrendo sua trilha de conhecimento para atingir os seus objetivos. Para poder prosseguir, vou apresentar mais alguns questionamentos:

Como será que as pessoas aprendem? Será que todas aprendem da mesma forma?Um dos grandes desafios no planejamento do ensino é conseguir mensurar como as pessoas aprendem ou até mesmo como elas estudam?Será que deixam para estudar um dia antes da prova ou vão estudando na medida em que o conteúdo é repassado a eles? Será que estudam para aprender ou estudam para passar na prova ou ser aprovados em um teste?Percebam que os questionamentos que apresento aqui são justamente para fazer refletir. E você, estuda para quê? Quer aprender mais ou deseja atingir um objetivo que você escolheu ou alguém lhe impôs?

Costumo conversar com algumas pessoas e utilizar alguns exemplos: Será que você vai conseguir ser fluente em algum idioma sem estudar? Será que alguém consegue abrir a sua cabeça e colocar este conhecimento ali dentro? Será que vamos ter um chip que vai nos dar conhecimentos e habilidadesque não dispomos? Enquanto isto não é possível, o jeito é estudar mesmo e cabe a você achar a forma com que você mais aprende.

O Cone de Aprendizagem de Edgar Dale apresenta um retrato de como as pessoas aprendem e, se você analisar, a famosa frase de que a teoria tem que estar alinhada com a prática é vista como uma maior possibilidade de aprendizado. Vamos analisar isto:

1 As pessoas tendem a aprender aquilo que elas conseguem analisar, testar, adaptar, validar, aprimorar e replicar. Analisando o Cone de Aprendizagem, você perceberá que 70 a 90% das pessoas geralmente se lembram do que lhes foi apresentado, se esta for a escolha do método de aprendizado.

2 Quando participa de uma formação que as pessoas te demonstram, fazem com que você veja e ouça, assim, você tende a lembrar de 50% do que lhe foi repassado.

3 As pessoas assimilam 10% do que leem, 20% do que ouvem e 30% do que veem.



Mas se isto é assim, por que algumas escolas ainda utilizam os métodos tradicionais de ensino com aulas expositivas? Vamos lá, não quer dizer que a aula expositiva deva ser proibida, mas sim, que o tempo que o aluno passa estudando nas instituições deva ser para conseguir assimilar teoria e prática. Portanto, se o conteúdo exige uma leitura, o aluno deveria realizar isto antes de chegar à aula. Será que isto acontece? Estamos em um período de adaptação de aprendizado, tanto para os alunos quanto para os professores que estão sendo colocados à prova para conseguir prender e atrair a atenção de seus alunos em sala de aula.

A figura a seguir apresenta um breve resumo da evolução da sala de aula, onde o professor era o foco. Hoje, a importância da aula está voltada para aprendizado do aluno e muitas vezes apresentada por salas de metodologias de aprendizagem ativa.


A reinvenção da forma de aprender ou de ensinar é evidente, porém temos alguns fatores que podem influenciar o aprendizado das pessoas e fazer com elas desistam no meio do caminho. Vou citar apenas exemplos que podem interferir no aprendizado, mas que quando identificadas, pode-se agir sobre as causas:

1 Não conseguir dormir durante 8 horas seguidas;

2 Ansiedade em excesso;

3 Receio do que os outros vão pensar se fizer uma pergunta ou expor o que entendeu;

4 Medo de falar em público;

5 Dificuldade de interpretação de textos;

6 Resistência à matemática;


Se você está realizando um curso é porque você quer aprender, correto? Então, tente se organizar para estar descansado na hora das aulas. Já ouvi muitas histórias de alunos dormindo durante as aulas, mas isso não acontece aqui no Brasil, acontece? O cansaço vai prejudicar o seu aprendizado, com certeza.

Somos ansiosos por natureza e isto muitas vezes pode fazer com que possamos agir por impulso ou até mesmo não dormir na noite anterior, não conseguir organizar suas ideias e assim por diante. Eu costumo praticar um exercício que me convence que eu sou capaz de fazer algumas coisas. Eu utilizo uma frase que é: “se outras pessoas conseguem, eu também vou conseguir”, isso me ajuda a controlar minha ansiedade e acreditar que é possível. Também utilizo com minhas equipes algumas frases de trabalho que apresento a seguir:

Você leva um hipopótamo a qualquer lugar, desde que ele queira ir!

Utilizamos esta metáfora para trabalhar a questão e orientar as pessoas a fazerem aquilo que julgamos importante e necessário, porém, não conseguiremos forçá-las a aprender algo que não queiram. Agora, você não pode ser a primeira pessoa a dizer que não vai dar, que não vai conseguir.

O não eu já tenho, vou trabalhar para conseguir o sim

É mais comum do que você imagina uma pessoa afirmando a outra que não consegue, que vai desistir mesmo antes de tentar. Temos que vencer nossos medos, submeter nossas vontades para podermos fazer novos progressos no nosso dia a dia. Temos que nos permitir errar, permitir aprender e a progredir. É por isso que você não deve deixar de questionar e tirar suas dúvidas em sala de aula. Como professor, uma coisa que me intriga muito é quando eu pergunto aos meus alunos se eles entenderam e reina um silêncio geral. Isso me deixa muito incomodado, pois muitas vezes os olhos dos alunos dizem outra coisa. Ajudem os professores a ajudarem os alunos e, se for necessário, explicar uma, duas ou mais vezes o que você não entendeu.

Quando sinto que o silêncio predomina nas aulas ou com a equipe, costumo brincar com uma frase: E aí pessoal... tudo certo e nada resolvido? Utilizo isto para quebrar o clima de silêncio e instigar as pessoas a questionarem o que julgam necessário. Não é raro receber questionamentos sobre que profissões ou caminhos escolher. Esse é outro ponto interessante para se observar e como professor, alguns alunos ou conhecidos nos olham e esperam que consigamos dar a eles uma fórmula mágica ou, como digo, uma receita de bolo.

Costumo dizer que a receita de bolo que eu sugiro às pessoas é igual as receitas da minha avó, onde os pães e bolos sempre ficavam maravilhosos, mas ela nunca repetia a medida dos itens da receita, dizendo: coloquei um pouco de farinha, depois alguns ovos e água morna até ficar no ponto. A experiência dela faz com que, visualmente, ela consiga achar o ponto ideal dos ingredientes a serem utilizados, mas, tente fazer para ver se fica igual!

Vamos fazer uma reflexão e retomar este contexto para um profissional que entrou no mercado nos anos 50 e se aposentou nos anos 90, será que nada mudou durante o andar das suas atividades? Com certeza mudou e, por isso, não adianta você ficar se lamentando das mudanças que estão ocorrendo hoje, elas vão continuar.

Se para os profissionais dos anos 50 a 90 o fax, a secretária eletrônica, o videocassete e o telefone eram objetos de desejo e símbolo de desenvolvimento, imagina para o pessoal da década de 90 que viu surgir a internet, as redes sociais, os celulares, o scanner, entre outras ferramentas. A geração dos anos 2000 já presenciou impressoras 3D, smartphones e milhares de aplicativos para facilitar ou como alguns dizem, para viciar as pessoas e as tornarem dependentes, eu prefiro dizer que é para trazer algumas facilidades, claro, se forem bem utilizadas.

O naturista inglês Charles Darwin, que viveu entre 1809 e 1882, desenvolveu uma teoria evolutiva que denominou de a teoria da seleção natural. Vamos refletir sobre ela, com algumas adaptações para o nosso contexto. “SegundoDarwin, os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados...”

Será que este conceito se aplica nos dias de hoje?Será que as locadoras de filmes estavam preparadas para a chegada do Netflix? Será que os taxistas sobreviverão ao Uber? Será que os hotéis têm o Airbnb como concorrente? O objetivo aqui não é julgar e nem dizer que um é melhor que o outro, mas levar a refletir sobre a inevitável mudança que novos negócios podem fazer em nossas vidas.



A verdade é que existe a tendência de ampliação da utilização de novas tecnologias para facilitar a vida das pessoas, trazendo comodidade e atendendo a algo que os produtos ou serviços ofertados até o momento não atendem. A certeza é que a evolução natural está aí, tudo pode mudar e não temos como parar isto. Mas será que estamos prontos para estas mudanças?

A Revista Guia do Estudante 2018, sobre Opções de Carreira, aborda, que devido ao avanço tecnológico, todo profissional deverá se atualizar constantemente, pois com a quantidade de informações que temos à disposição nos obrigará uma atualização constante.

Segundo Leonardo Berto, gerente de negócios da empresa de colocação Robert Half, além dos cursos acadêmicos, MBAs, há os cursos rápidos e as empresas deverão investir cada vez mais nas universidades corporativas, parcerias com instituições de ensino para poder formar os profissionais de acordo com as necessidades específicas da empresa.

Os profissionais vão precisar estar abertos ao aprendizado e à mudança, pois não temos como evitar que a Indústria 4.0 se torne uma realidade no Brasil, por isso, faz-se necessário que nossas empresas possam se manter competitivas no mercado nacional e internacional. Um dos grandes desafios juntamente com este momento é justamente conseguir processar e analisar um grande volume de informações (Big Data) disponíveis na internet e conseguir mensurá-las para podermos tirar vantagem competitiva e mapear o mercado.

E agora? A mudança está aí, como faço para aprender e me atualizar?

Lembra que eu comentei da receita de bolo da minha avó? É desta forma que vou tentar dar algumas dicas para auxiliar neste processo de formação contínua, mas não existe receita de bolo exata, cabe a você identificar o ponto ideal para a sua vida.

Antigamente, se você se formava em informática iria provavelmente trabalhar com programação, mas hoje não tem esta correlação obrigatória, pois o conhecimento adquirido pode ser utilizado para outras atividades e indivíduos que tiveram a mesma formação, podem ter linhas de trabalho totalmente diferentes.

Portanto, o que me cabe aqui é lhe repassar algumas dicas:

1 Não existe escolha certa ou errada e nem definitiva, o que existem são escolhas adequadas para o momento e que se você quiser e acreditar, poderá recomeçar a qualquer momento. Você pode gostar de mudanças ou alguma situação que ocorra com o seu emprego ou com a empresa em que você trabalha que podem lhe forçar a mudar;

2 Não sabe o que escolher de formação? Conheça as profissões, converse com pessoas que possam te contar como é o seu dia a dia nesta profissão, assim vai conseguir identificar se isto se encaixa contigo;

3 Tenho que trabalhar naquilo que gosto e dá dinheiro? Seria o ideal, mas com a dinâmica do mercado o que dá dinheiro hoje, pode não dar dinheiro amanhã. Outro ponto que você deve cuidar é se o seu gosto pela atividade não é empolgação, portanto, pesquise sobre a atividade e verifique se você conseguirá conciliar o útil ao agradável;

Como mencionei, a informação está a nossa disposição e cabe a nós analisarmos, mas eu tenho como prática conversar com pessoas que acredito que podem auxiliar nas minhas decisões, porém, não busco pessoas negativas para me aconselharem e tento refletir com o que me é dito, mas no final, a decisão será minha e eu colherei os frutos da minha escolha, sendo boa ou não. Você vai buscar qualificação profissional e aí vem a dúvida: Qual curso ou metodologia de ensino devo escolher? Vamos relembrar o início do nosso texto:

Qual o seu perfil?

Você é daqueles que consegue sentar na frente de um computador, ler um texto, assistir a um vídeo, ser disciplinado e realizar e entregar todas as atividades no prazo sem que alguém te cobre por isso? Você tem facilidade com tecnologia? Você tem dificuldade de tempo e precisa de flexibilidade de horários para estudar? Acha que uma sala de aula não é para você e quer que o curso siga o seu ritmo?

Se você respondeu sim a estas perguntas, provavelmente você se dará bem em cursos a distância, mas na hora de escolher, verifique como funciona o suporte da empresa escolhida e como você fará para tirar suas dúvidas.

Se você respondeu não para boa parte das perguntas, talvez você tenha o perfil de um curso presencial ou semipresencial, onde você terá uma quantidade maior de encontros com professores e colegas para o aprendizado. Não deixe de avaliar a qualidade e procedimentos da instituição escolhida, além da estrutura física e conceitos que ela recebeu dos órgãos competentes.

Na verdade, não existe a modalidade certa e errada para se aprender, o que existe é a forma que você melhor aprende e para isso, você deve traçar a sua trilha de conhecimento necessária para atingir os seus objetivos. Não deixe que os outros escolham o seu futuro, defina o que você deseja, trace os seus planos e vá buscar seus objetivos, pois você é fruto das suas escolhas!

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Pablo Peruzzolo Patricio - Mestre em administração com foco em relacionamento de empresas, sócio da empresa G2 Orientação estratégica onde atua na modelagem de negócios e captação de recursos. Professor na área de estratégia, empreendedorismo e teorias da administração desde 2004. Coordenador da Educação a Distância da Univille. Gerenteda Educação a Distância da Sociesc, onde tambémfoi gerente de ensino e negócios das áreas de pós-graduação Sociesc e FGV e inovação. Participou da estruturação do Instituto Anima e projetos de formaçãodeempresas no Brasil e exterior.



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