Megatendências: vetores para inovação

A previsão do comportamento da sociedade e das tecnologias auxilia, de forma significativa, no planejamento da vida particular e empresarial. Porém, são probabilidades e não certezas.


Tudo muda, o tempo todo: A economia, a moda, o tempo, nosso humor. A arte de fazer previsões relevantes consiste em diferenciar aquilo que é uma oscilação momentânea daquilo que é um movimento sustentado (diferenciar o tempo do clima, por exemplo), mesmo que não homogêneo, em determinada direção. Estes movimentos são megatendências.


Megatendência é um termo cunhado por John Naisbitt, título de livro homônimo , que diz respeito aos fatores subjacentes a mudanças profundas que ocorrem ao longo do tempo. Tipicamente tem maturação mais longa do que modismos ou cataclismas pontuais, mas também podem ser disparadas por eventos exponenciais (a descoberta da bomba nuclear ou da pílula anticoncepcional). Suas causas podem ser naturais (o El Niño), sociais (o empoderamento feminino), tecnológicas (a internet ) ou uma combinação destes fatores. 


É o tipo de análise efetuada por serviços de inteligência de agências governamentais e consultorias de risco, levando em consideração horizontes de 50 anos ou mais.


Tipicamente os estudiosos que escrevem sobre este tema são chamados de Futuristas. Entre seus expoentes estão muitos nomes célebres (não por acaso, muitos deles também são conhecidos por serem autores de ficção científica) tais como Aldous Huxley, Arthur C. Clarke, Buckmister Fuller, Carl Sagan, Alvin Toffler, George Orwell, David Houle e Ray Kurzweil, entre outros.


Evidentemente, não existe bola de cristal, e estudiosos sérios não alegam tê-la. Existem discussões acadêmicas acirradas quanto à probabilidade e previsibilidade de eventos, sendo que aqueles que advogam ser possível maior precisão afirmam que avanços na ciência e estatística maximizam nossa capacidade de prever, construindo cenários alternativos. Dito isto, a taxa de acerto de muitos deles (baseado em previsões passadas) é considerável. São previsões que devem ser analisadas com senso crítico, e servir para reflexão. 


John Naisbitt antecipa, entre outras, as seguintes megatendências: 


1. A transformação de uma sociedade industrial para uma baseada na criação e distribuição da informação. A crescente importância do setor de serviços e a menor participação do setor industrial na economia global comprovam isto;

  

2. Economias nacionais autossuficientes passam a ser parte de uma economia globalizada, expondo suas forças e fraquezas frente aos demais concorrentes. Mesmo economias pouco conectadas sofrem os efeitos desta tendência, dada à oferta de produtos baratos produzidos de forma mais econômica em outros lugares;

  

3. As estruturas sociais passam a ser menos hierárquicas, e a importância de redes informais será maior. As redes sociais, crowdfunding , Airbnb e Uber atestam a relevância desta tendência, subvertendo estruturas econômicas antes tidas como perenes e;

  

4. A sociedade passa de uma perspectiva binária (comunismo/capitalismo, masculino/feminino, por exemplo), com opções restritas, para uma com opções múltiplas. A existência concomitante de diversas tribos e estilos são uma manifestação deste fenômeno.

  

A partir de Naisbitt, diversas organizações passam a publicar megatendências regularmente. Entre elas a consultoria Ernest & Young, que em 2015 mapeou seis Megatendências :

  

1. Futuro digital: A tecnologia transformará toda a atividade econômica, gerando uma miríade de oportunidades e desafios;

  

2. Aumento do empreendedorismo ao redor do mundo: Recursos tecnológicos antes indisponíveis viabilizam a participação de novos atores na disputa comercial global;

  

3. Mercado global: O poder econômico migra para o leste e para o sul, provocando novos padrões de comércio e de investimento;

  

4. Mundo urbano: Infraestrutura efetiva e planejamento sensato farão das futuras cidades locais competitivos e resilientes;

  

5. Uso racional dos recursos naturais: Aumento da demanda e transformação da oferta provocam inovações nos âmbitos energéticos e de recursos e;

  

6. Saúde reimaginada: Tecnologia e demografia convergem em uma transformação disruptiva.

  

Olhando mais a frente, Ray Kurzweil antecipa possibilidades tais como:
 

• Transhumanismo (a fusão da biologia com a tecnologia, com a segunda eventualmente sobrepujando a primeira); 

• Tradução em tempo real eliminando barreiras culturais; 

• Inteligência artificial fazendo com que migremos de telas para sensores, o que gerará uma relação mais pervasiva com a tecnologia; 


• Envelhecimento da sociedade, devido a técnicas de extensão da vida; 


• Redução da demanda por trabalhadores, devido a técnicas altamente automatizadas tais como impressão 3D e; 


• Nanotecnologia em diversas aplicações tecnológicas, controle de ferramentas genéticas e energia renovável ilimitada.

 

Como será o futuro? Difícil dizer com certeza. Todos estudiosos parecem concordar, no entanto, que ele será bastante diferente do presente. 


Quais as implicações destas mudanças nos processos produtivos e comerciais? E no mundo do trabalho? E na sociedade?

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Ianiv Wainberg

Sócio da Bertussi Design, consultor em design de produtos e gestão da inovação, com atuação junto a indústrias de médrio e grande porte de diversos segmentos. Tem passagem em empresas como Dell, RBS, Unimed e Feevale. Bacharel em design de produtos e MBA em gestão estrátegica.