A impressão 3D é o processo de fabricação de qualquer objeto tridimensional baseado em um arquivo digital. Hoje, podemos imprimir objetos em mais de 250 materiais diferentes: desde titânio até borracha, plástico, vidro, cerâmica, couros e chocolate.
As máquinas atuais são capazes de construir objetos com uma precisão impressionante, camada por camada. Aliás, as novas técnicas de manufatura digital permitem a criação de estruturas complexas com materiais misturados. Além disso, podem imprimir quase de tudo: robôs, lentes, câmeras, peças de aeronaves, próteses médicas e até casas.
Em resumo, a impressão 3D transforma todo o processo de
fabricação e também economiza enormes custos - exigindo menos matéria-prima e
eliminando a necessidade de inventário. Para o futurista Peter Diamandis, a impressão 3D
desmaterializa, desmonetiza e democratiza a fabricação, transformando todos nós
em criadores.
O futuro da impressão 3D
Conforme Avi Reichental os próximos anos serão excitantes
(e, ao mesmo tempo, perturbadores) no que diz respeito às tecnologias de impressão
3D. Para Reichental, que durante 12 anos foi CEO da 3D Systems, a maior empresa
de impressão em 3D publicamente negociada no mundo, quatro campos irão receber
mais destaque:
1. Alimentação e nutrição
Segundo Reichental, a nova geração de impressoras 3D tornará
possível a criação de alimentos para uma nutrição altamente personalizada. As
impressoras poderão criar alimentos com base em nossas necessidades, contendo a
quantidade de proteínas, carboidratos, vitaminas e suplementos que precisamos.
A impressão 3D também deverá ser adotada pela linha
farmacêutica. Só para ilustrar: pílulas médicas seriam fabricadas (impressas,
compostas e criadas) especificamente para atender nossas necessidades
energéticas e nutricionais.
2. Vestuário e wearables
No futuro, seremos capazes de imprimir roupas totalmente
funcionais e dispositivos vestíveis (wearables). Sapatos serão feitos sob
medida não apenas com base no tamanho de nossos pés, mas também levando em
consideração nossas posturas.
Na visão de Reichental, os acessórios serão personalizáveis e
imediatamente imprimíveis. Tudo será perfeitamente projetado para ficar em
consonância com nossos corpos. Você será capaz de ver um belo vestido novo
projetado em Paris de manhã, comprá-lo à tarde, imprimi-lo no final do dia e
vesti-lo à noite.
3. Diversidade de materiais
Para Reichental, praticamente tudo será possível de ser impresso
nos próximos anos - borracha, metal, vidro, fiação, eletrônicos, carros, casas
e smartphones. E tudo com muita agilidade: o que quisermos e quando
quisermos.
"Hoje você pode imprimir em 3D um caminhão de brinquedo com
pneus de borracha, chassis de metal, vidro transparente ou parabrisa de vidro
em uma única impressão." – Avi Reichental
Só para ilustrar: com o crescimento exponencial da tecnologia,
seremos capazes de imprimir dispositivos totalmente funcionais e altamente
complexos, contendo circuitos e sensores.
4. Órgãos e tecidos humanos
Pesquisadores já demonstraram de forma convincente que órgãos
simples e tecidos complexos podem ser impressos em 3D. As máquinas atuais são
capazes de construir vasos sanguíneos, rins, orelhas e corações,
utilizando células ao invés de
tinta.
"Dentro de sete a dez anos, estaremos no negócio de
substituir partes e órgãos que nossos corpos não rejeitarão, e talvez possamos
ter órgãos ainda melhores do que aqueles com os quais nascemos." – Avi
Reichental
Ao que tudo indica, a medicina deverá em breve solucionar o
problema da fila de espera para transplante de órgãos. Desse modo, diminuirá a
rejeição dos pacientes e contribuirá para salvar mais vidas.
No futuro, todos teremos impressoras 3D?
No entanto, ainda não sabemos se, no futuro, a adoção de
impressoras residenciais será uma prática generalizada ou se as pessoas optarão
por imprimir seus produtos em locais específicos, como oficinas de fabricação
digital (Fab Labs).
Contudo, seja como for, é inegável que as impressoras 3D
prenunciam uma Era em que o analógico e o digital se mesclam e se tornam
indistinguíveis um do outro. E irão transformar o mundo como o conhecemos.
Enfim, com um mercado que cresceu em torno de 500% no ano de 2018, gerando uma receita de US$ 16,2 bilhões, o questionamento que fica é apenas um: até onde toda essa tecnologia poderá nos levar?
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Cristian Machado de Almeida
Formado em Engenharia de Produção e Pós graduação em Indústria 4.0. Atualmente trabalhando na Nova Fase Tecnologia como Industrial Business Development, Membro do Grupo de Estudos de Direito Digital e Compliance na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - FIESP e Representante Comercial do Festival Internacional de Tecnologia e Comunicação.